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Agora é simples com ONBOARD #54

A transformação digital no setor automobilístico tem deixado o transporte público para trás

A transformação digital nas empresas tomou um ritmo acelerado durante a crise e especialistas já apontam que estamos vivendo a era da “Indústria 4.0”, ou “Indústria do futuro”.

A previsão para essa nova era é a integração de tendências e tecnologias disruptivas, como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), Big Data, dados em nuvem e entre outras.

No entanto, é necessário que empresários e executivos evoluam suas formas de pensar para as novas dinâmicas do mundo moderno e percebam a rapidez com que as três novas revoluções – tecnológica, social e de informação – estão impactando nos comportamentos de consumo. 

Neste cenário, fabricantes de veículos já entendem que a digitalização e automação dos processos de negócio são fundamentais para enfrentar a competição no novo cenário

A reinvenção do setor automobilístico preocupa o transporte público. Hoje, a informação digital é a etapa mais importante no fluxo para tomada de decisão e a população brasileira já está adepta ao serviço digital, cabe ao setor se preparar para não ficar para trás nessa corrida.

Leia na íntegra: Transformação digital: mais uma corrida que os carros estão largando na frente do transporte público

Aumento no número de casos de Covid-19 no Brasil impõe “Onda Roxa” em diversos estados. O momento é de repensar estratégias para oferecer segurança aos passageiros e poder resistir em meio a criseSaiba mais.


Rapidinhas: Os links que nos deram insights durante a semana. 

Dubai vacina mais de 20 mil funcionários do transporte público e taxistas icromobilidade compartilhada apresenta um mercado dinâmico além de disponibilizarem 40 mil vacinas para toda equipe.

Brasileiros estão cada vez mais desinstalando aplicativos do smartphone fazendo grandes empresas do mundo online repensarem seus modelos de aquisição de clientes.

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CNH gratuita no Espírito Santo e carteira digital evidenciam mudanças

Programa CNH Social no Espírito Santo promete 4.500 CNH gratuitas para auxiliar a entrada da população no mercado de trabalho

No Espírito Santo o Governo do Estado acaba de abrir 4.500 vagas para a obtenção da CNH de forma gratuita. Para isso, é necessário que a pessoa interessada esteja registrada no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com dados atualizados e realize a inscrição no site do Detran/ES (www.detran.es.gov.br) até o dia 07 de outubro de 2020.

De acordo com o Governo do Estado, a oportunidade é oferecida por meio do programa CNH Social. O incentivo se relaciona ao fato do valor elevado para obtenção da CNH. 

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) de 2014 a 2017, a emissão da CNH para jovens de 18 a 21 anos caiu 20,61%. Entre as causas estão crise econômica, inconvenientes do trânsito e custo para tirar habilitação.

O projeto CNH Social foi desenvolvido pelo SEST/SENAT (Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), em 2004, permitindo a emissão gratuita do documento. O objetivo principal é ampliar o acesso das camadas mais baixas à carteira, favorecendo a inserção no mercado de trabalho.

O projeto está presente somente nos estados de Goiás, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Maranhão, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Amazonas e Acre. Em Espírito Santo, as vagas do projeto em aberto serão destinadas à Primeira Habilitação nas categorias A (moto) ou B (carro), para condutores já habilitados que querem fazer a mudança de categoria para D (van, micro-ônibus, ônibus) ou E (caminhão e carreta) e para a adição de categoria A ou B.

Os requisitos do projeto envolvem:

  • Possuir 18 anos completos no momento da inscrição;
  • Residir no Espírito Santo;
  • Ter renda familiar de até dois salários mínimos; e
  • Não estar judicialmente impedido de possuir a CNH.

Espírito Santo prevê o investimento de quase R$ 7,5 milhões em 2020 para possibilitar o acesso à carteira de habilitação de forma gratuita a pessoas de baixa renda que residem em municípios capixabas. Até 2022, a previsão é que sejam oferecidas 25 mil carteiras de habilitação gratuitamente pelo programa.

Ainda, o programa reservará 5% das vagas para pessoas com deficiência, havendo seleção prévia. Para as pessoas solicitantes que não forem selecionadas na primeira lista, haverá uma nova oportunidade de ser contemplado. Em 2019, 1,2 mil suplentes foram chamados nas duas fases do programa.

A CNH tem buscado se renovar para se tornar mais prática e moderna. Dentre as ações, criaram a CNH Digital.

O que é CNH Digital?

A CNH digital é uma versão digital da CNH, porém com o mesmo valor jurídico da versão impressa e sua obtenção é opcional. O acesso ao documento digital é possível desde o início de fevereiro de 2018, oficializado pelo Denatran, sendo chamado então por Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Essa medida foi muito importante durante a pandemia, visto que a maior parte das unidades de atendimento foram paralisadas. Além do mais, a tendência é que a transformação digital cresça neste e em muitos outros setores.

Dentre as vantagens da CNH digital estão principalmente a segurança e praticidade, devido o documento possuir QR Code com dados criptografados podendo ser acessado pelo próprio smartphone. 

Além disso, o documento é considerado oficial conforme Portaria do Denatran nº 184 de 17 de agosto de 2017 e Resolução do Contran nº 684 de 25 de julho de 2017, podendo substituir o documento físico.

CNH Digital. Fonte: Detran/MG.

Economia compartilhada e o mito da retórica Uber: parte 3/3

Em série especial de 3 textos abordamos a história inicial da Uber e suas similares no Brasil, as consequências desse modelo e os caminhos que rondam o setor

Vimos até agora a estratégia de penetração no mercado de Uber, Lyft, 99 e suas similares, chamadas de Operadoras de Tecnologia de Transporte Credenciadas (OTTCs) em legislação da cidade de São Paulo. 

Na parte I nos aprofundamos em suas estratégias retóricas e como utilizam disso para surfar na ausência de marco regulatório. Na parte II chegamos as consequências negativas do modelo de negócios de carros compartilhados por app e os avanços que cidades fizeram na governança urbana. 

Agora, na parte III, abordaremos os desafios que se impõem ao modelo da Uber, as concorrências que despertam e finalizamos com o papel do transporte público nessa questão. 

Veja também: 

O futuro com carros sem motorista

Não é irreal dizer agora em 2020 que carros autônomos, destes que se dirigem sozinhos, estarão disponíveis à compra em pouco tempo. Carros semi-autônomos da fabricante americana Tesla já estão no mercado há anos e os principais impedimentos hoje são marcos regulatórios e opinião pública negativa. 

Isso interfere diretamente nos planos da Uber e semelhantes de diminuir seus custos operacionais com motoristas, antes que novas resoluções sejam passadas mundo afora as obrigando a arcar com encargos trabalhistas. Talvez não haja tempo o bastante. 

Enquanto não há tempo para algumas, outras nadam nesse novo mar. É o caso própria Tesla, que recentemente anunciou que colocará milhares de carros autônomos na rua ainda este ano. A empresa tem utilizado visão computacional e sensores há anos em seus carros elétricos e agora promete uma solução de direção autônoma onde basta apenas uma atualização para que modelos não-autônomos recebam a novidade. 

O plano da empresa é mais ousado do que o de qualquer outra, pois a Tesla já possui sensores em carros comuns na rua, diferentemente de competidoras que têm apenas uma centena de testes rodando, como a Uber e a Waymo. 

A quantidade de informações em bancos de dados é diretamente ligada à qualidade de qualquer Inteligência Artificial, necessária para os carros autônomos. 

Além disso, os clientes da Tesla já estão acostumados com um carro que é aberto por aplicativo e totalmente digital, contribuindo para a adoção inicial e diminuição da barreira negativa. 

Outro ponto importante nos carros autônomos da Tesla é que eles apostam em serviços, onde não possuímos o carro e só o solicitamos. E nesse momento podemos ainda escolher dirigir e só acionar o modo autônomo se estivermos confortáveis. Ou seja, a barreira de entrada causada pela percepção negativa das pessoas em um carro que se dirige sozinho é menor, pois elas estão aptas a dirigir. 

O carro só anda sem motorista quando quisermos ou entre um chamado e outro, conseguindo o que a Uber e afins mais querem mas ainda estão muito longe de alcançar: não ter motoristas para pagar. 

Nesse cenário, a Tesla se torna uma grande concorrente à Uber, fazendo frente aos seus serviços e tornando ainda mais inviável o modelo de negócios atual dos carros compartilhados por app. 

Imagine que você poderá comprar um carro autônomo – cerca de $38 mil dólares na versão básica – e usá-lo como robotáxi nas horas vagas, fazendo cerca de $30 mil dólares ao ano. Em pouco mais de 12 meses o investimento inicial se paga. 

É claro que essas são previsões otimistas. No Brasil, em particular, ainda não temos estrutura para carros elétricos, o que atrasará a adoção desses modelos. Além disso, um carro que se paga “sozinho” logo seria bom demais pra ser verdade, enchendo nossas cidades desses veículos e diminuindo drasticamente o preço das viagens, tornando mais difícil lucrar assim. 

Outro fator é que não existe qualquer marco regulatório para carros autônomos no Brasil, embora a experiência com o “problema Uber”tenha tornada mais dinâmica a estrutura de gestão das cidades e do uso viário. 

Ter comitês e protocolos voltados à inovação impede experimentos catastróficos, como a morte de uma pedestre em testes do carro autônomo da Uber no Arizona (EUA), mas não limita a inovação, uma vez que possui estrutura para ao menos avaliar novas soluções. É o caso do Conselho Municipal de Uso Viário (CMVU) na capital paulista. 

De toda forma, modelos de carros compartilhados por app correm sério risco no curto prazo. Já não lucram, pagam mal seus motoristas e têm pela frente que lidar com a voracidade de uma empresa muito à frente, como a Tesla. 

Para onde a economia compartilhada pode seguir…

Ao longo dos três textos dessa série especial sobre o modelo de negócios da Uber e suas similares falamos algumas vezes sobre economia compartilhada e como essas empresas se apropriaram do termo para dar vazão à necessidade de se diferenciar. 

Entretanto, economia compartilhada não é algo que nasceu ontem. Mesmo o transporte público pode ser considerado uma forma de economia do compartilhamento, uma vez que todos os usuários dividem os custos do sistema. Ainda por cima, motoristas e profissionais sempre tiveram todos os seus benefícios e direitos cobertos pelas leis vigentes. 

O que está em desuso é um serviço que não atende às necessidades específicas de cada indivíduo, algo que o transporte coletivo urbano não consegue pois é um dos setores mais regulados do país e que está à beira da falência por regulações ruins – além da falta delas em outros setores. 

A transformação digital de qualquer indústria é complexa. Já a transformação digital de um dos setores mais tradicionais do país, o de transportes, apresenta desafios maiores ainda, levando em consideração legislação, tecnologia, o estigma de corrupção, etc. 

Nesse caso, não precisamos de menos regulação, mas de normas melhores, que incentivem a inovação e regulam setores que causam externalidades negativas, como é o caso das empresas de tecnologia no setor de transportes.

Nesse mundo ideal, não precisaremos nos preocupar novamente com soluções que se dizem mágicas, pois o transporte público já será altamente eficiente. 

No caso da Uber e suas similares, previsões de mercado enxergam um caminho turbulento à frente. Para continuar burlando legislações que as obriguem a pagar dignamente seus motoristas, especialistas preveem uma virada ao segmento de franquias, onde franqueados podem usar a tecnologia de conexão entre motorista-passageiro. 

Nesse caso, a Uber não teria mais relação com o motorista, somente com o cliente final e o dono da franquia e chefe dos motoristas. Entretanto, esse modelo não exime totalmente a empresa de tecnologia de seus deveres e, em determinadas visões, pode colocá-la como co-responsável pelos trabalhadores. 

Um exemplo disso é o setor da moda, um dos setores mais lucrativos do mundo, que utiliza mão de obra terceirizada em suas costuras, se dando o direito assim de ignorar violações de direitos trabalhistas. Quando expostas nessas situações, grandes marcas apenas rompem contratos e fazem notas de repúdio, ignorando que na verdade estavam terceirizando trabalho escravo num problema estrutural. 

O ponto aqui é que o mundo está mais esperto para manobras como essas. 

A década da virada

Todo especialista em mobilidade urbana está falando como a década de 2020 será importante para o setor. Inovações introduzidas – com permissão ou não – na última década estão alcançando amadurecimento. 

Novas soluções estão a caminho e marcos regulatórios são promulgados cada vez mais rápido. Embora ainda excessivamente focadas em “regulação”, cidades estão mais cientes da mega estrutura do espaço urbano e da necessidade de operar diversos fatores para continuar melhorando a vida urbana e não entregar a vida em cidade às empresas de tecnologia. 

Estas últimas, por sua vez, estão cada vez mais em descrédito e desconfiança no Ocidente, nos mais diferentes setores, sobretudo pela falta de transparência em suas mega operações de dados. 

Dessa forma, será cada vez mais difícil usar a tática “peça perdão, mas não peça permissão”. O que é bom para a sociedade. Só precisamos ter mais clareza de que regulações servem também para estimular a inovação, e não só atrasá-la. 

A inovação, por sua vez, precisa estar atenta às demandas da sociedade, e não ser construída a 4 paredes pela elite tecnológica. Afinal, de boas intenções o cemitério de patinetes está cheio.

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A experiência do cliente como base para a inovação da mobilidade urbana

A transformação digital na indústria automotiva abre portas para compartilhamento de viagens e carros automáticos

Foto: Alvaro Reyes.

O compartilhamento de viagens – a base da revolução em relação ao poder dos passageiros – nos deu um vislumbre do que o futuro reserva para aqueles que passaram grande parte de nossas vidas presos no intermináveis congestionamentos. Vale ressaltar que o deslocamento é uma impedância criada no espaço urbano pois o tempo gasto no deslocamento significa um tempo perdido em relação às necessidades das pessoas.

Os aplicativos de compartilhamento de viagens tem alterado a forma como as pessoas se deslocam pela cidade. Isto afetou diretamente a qualidade de vida muito mais do que seria facilmente aparente.

Os aplicativos vem aliviando a péssima experiência de dirigir no trânsito das grandes cidades brasileiras, mas os benefícios podem ir muito além disso. O compartilhamento de viagens permite usar o tempo perdido durante o deslocamento para fazer ligações, ler e manter contato com clientes, colegas, familiares e amigos. Algo que no transporte público convencional é complicado devido a lotação do veículo.

E isso é apenas um prenúncio do que está por vir: está chegando o momento em que as pessoas entregarão as chaves à veículos autônomos. Os passageiros poderão relaxar e aproveitar o passeio, sem estresse (exceto, talvez, pelas chamadas de outros clientes que irão compartilhar a viagem). Outro ponto positivo é que, com a automação dos veículos, o custo do transporte público irá reduzir substancialmente podendo fazer com que os recursos possam ser realocados na melhoria contínua da qualidade do serviço.

Portanto, nos últimos anos, a tecnologia abriu o caminho para uma das maiores oportunidades econômicas do nosso tempo, a transformação da indústria automotiva. A maioria dos fabricantes de automóveis promete um carro autônomo até 2020. Isso criou oportunidades para o desenvolvimento de novos aplicativos e o novo hardware a ser projetado e fabricado para aprimorar e dirigir os veículos autônomos. Os economistas preveem uma economia de US$ 800 bilhões em 2035 e uma escala de US$ 7 trilhões até 2050. 

Com a perspectiva de veículos autônomos se tornarem comuns, com entrada, entrega e experiências personalizadas de conteúdo para cada passageiro, o compartilhamento de viagens deve ser um participante significativo na monetização da primeira fase desse novo modo de transporte.

A chegada desta nova visão alimentará um mundo mais seguro e competente. E a alteração na forma de “consumir” a mobilidade irá melhorar a qualidade de vida nas cidades e possivelmente a qualidade do transporte público coletivo, vide o exemplo do Citybus 2.0 implantado em Goiânia.

Quando é mais rápido comprar um carro do que andar de ônibus

A importância da transformação digital imediata nas empresas do setor de transporte público

Utilizar o transporte público nas grandes cidades é um fator positivo considerando médio e longos trajetos, os quais, se realizados por carros, enfrentariam grandes congestionamentos. Quando comparado o custo do meio de transporte, os ônibus saem disparadamente mais em conta do que o transporte privado (carro particular, Uber ou Táxi), sendo este o principal fator que colabora para a utilização do transporte coletivo.

No entanto, há um grande desafio para os clientes de ônibus: a emissão do cartão de transporte. Sendo um cartão recarregável com créditos exclusivos para utilização dentro da cidade, cada município apresenta seu próprio cartão “único” e suas próprias regras para emissão.

A ONBOARD esteve em Brasília entre os dias 23 e 26 de junho de 2020 para apresentar o projeto do DBD (Dispositivo de Bilhetagem Digital) com o intuito de apresentar novas tecnologias desenvolvidas para um sistema que, utilizado na cidade, é carente de mudanças. Estavam presentes a SEMOB (Secretaria de Mobilidade Urbana do Distrito Federal), o BRB (Banco Regional de Brasília), a Sufisa (Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle) e a Viação Piracicabana DF.

A fim de entender os desafios do sistema de transporte público, Luiz Renato M. Mattos, CEO da ONBOARD, foi atrás da emissão do bilhete de ônibus na cidade de Brasília. O processo como um todo durou cerca de 50 minutos, lembrando que, em período de pandemia, não havia filas no local. 

“Fui na plataforma do metrô para poder fazer o cartão da primeira via, antes ele era feito lá. Ao chegar no local, me informaram que na verdade era na galeria, em outro espaço reservado exclusivamente para fazer os cartões. Esse espaço ficava na plataforma de cima da rodoviária e eu tive dificuldade inclusive de encontrar, sendo bem longe de onde eu estava. Uma vez que fiz a primeira via na galeria, lá não fazia a recarga do cartão. Então, ao pedir informações novamente, indicaram que eu precisava descer até onde era o metrô de novo para poder recarregar. Mas, por ter um ponto de recarga do BRT próximo, consegui fazer a recarga do cartão ao invés de voltar para o metrô”.

relata Luiz Renato.
Emissão do cartão de transporte em Brasília.
Foto: Luiz Renato M. Mattos.

A dificuldade na emissão do cartão de transporte implica seriamente na atração do sistema, o qual deveria ser facilitado para evitar complicações indesejadas, visto que o mesmo sofre constantes crises por depender quase que exclusivamente de receita proveniente da venda de tarifas. Além do mais, as complicações físicas da experiência em Brasília envolveram locais extremamente distantes, sendo necessário a utilização de um veículo para locomoção, de acordo com Luiz Renato.

Esse relato não é raro. Camila Samya comentou em seu twitter, no dia 06 de junho de 2020, a demora no processo e as informações errôneas que são passadas aos clientes. “No meu primeiro dia de faculdade, eu fiquei horas na empresa de ônibus pra fazer meu cartão que no fim não deu certo, depois me passaram informação errada de onde ficava o ponto de ônibus”.

O transporte público está perdendo espaço por não acompanhar a transformação digital

Diante da necessidade de priorização do transporte público devido as frequentes crises que o setor enfrenta, o problema relatado influencia a preferência por automóveis. A fabricante de carros Volkswagen realizou, no dia 25 de junho de 2020, um evento de lançamento online do novo carro Nivus por meio do Whatsapp, o evento envolveu a venda de 1.000 carros em apenas 8 minutos.

“A Volkswagen aproveitou o embalo do isolamento social e acelerou a concessionária digital, o DDX (Digital Dealer eXperience) com realidade aumentada e excelência em UX. É o ‘better, faster, cheaper’ em estado puro, acontecendo aqui e agora.”

Filipe Bartholomeu, CEO na Almap BBDO, publicou em seu LinkedIn.

Em termos de mobilidade, isso pesa muito, pois, afinal, de acordo com a literatura e a experiência mundial, o transporte público é a coluna vertebral de todo projeto de mobilidade. Filipe ainda complementa que o carro é a “prova viva de que tecnologia e design nasceram um pro outro”, logo, a transformação digital se torna necessária para acompanhar as mudanças no mercado e sobreviver em um mundo cada vez mais competitivo.

Num primeiro momento, gestores podem imaginar que a transformação digital no transporte público é possuir um aplicativo ou um sistema embarcado moderno, no entanto, para haver uma transformação digital real é necessário uma orientação aos dados, aliada à experiência do cliente e aos processos ágeis baseados em testes e validações.

Contudo, conclui-se que, diante das medidas implementadas até hoje, adquirir um carro de quase R$80 mil em apenas 8 minutos é muito mais fácil do que andar de ônibus, frente aos 50 minutos para emissão de um único cartão de transporte.

Como a ONBOARD está ajudando na transformação digital do setor de transporte público

A necessidade de se atentar à combinação de fatores culturais e socioeconômicos para tal transformação leva a ONBOARD a compreender o cenário da realidade do transporte público e propor novas soluções para as empresas do setor. A ONBOARD criou um sistema de Bilhetagem Digital chamando a atenção para a proposta de Account Based Ticketing (ABT) com software aberto Android, enquanto concorrentes continuam com seus sistemas fechados e ultrapassados. 

Podemos falar que nós fomos a primeira empresa no mundo a vender créditos de transporte público por redes sociais (apenas a China vendia pelo Wechat). Ou seja, nós estamos na vanguarda do movimento. Resta o setor corresponder e embarcar nessa com a gente.

Luiz Renato M. Mattos, CEO da ONBOARD.

O sistema de bilhetagem digital da ONBOARD reúne características únicas, superando a atual bilhetagem eletrônica, apresentando funcionalidades como controle de frota, ambientes de trabalho, chat interno, cadastros, atendimento, CRM (Customer Relationship Management, ou Gestão de Relacionamento com o Cliente), relatórios, Reconhecimento Facial, entre outras características. 

Ademais, o Dispositivo de Bilhetagem Digital da ONBOARD, mais conhecido como DBD, é o equipamento de bilhetagem que vai embarcado em ônibus, terminais e estações de trens e metrôs para validação dos cartões de transporte. Atualmente, os equipamentos semelhantes são conhecidos como validadores. No entanto, o DBD apresenta a tecnologia e a praticidade que um sistema de transporte necessita, além de possuir um design totalmente inovador.

“Comparar o DBD com um validador é a mesma coisa que comparar um smartphone com uma calculadora. Ou seja, possui o recurso, mas faz muito mais.”

complementa Luiz Renato.

A partir da Bilhetagem Digital ONBOARD há um ganho no que se diz respeito à colaboração com o ambiente urbano, pois é capaz de, a partir da utilização de dados e realimentação do sistema, reduzir o impacto negativo do deslocamento na vida de pessoas, transformando isso numa experiência muito menos complicada, sobrando tempo, recurso e ímpeto para outras atividades. 

Essa experiência é positiva tanto para as empresas – que terão processos melhor traçados, juntamente com uma inteligência de dados para embasar alterações no sistema de transporte – como para as pessoas, que terão um impacto muito diferente em seus deslocamentos. Luiz complementa: “No final do dia, andar de ônibus precisa ser mais fácil do que comprar um carro. E o papel da ONBOARD não é só tornar o andar de ônibus melhor do que comprar carro, é tornar o andar de ônibus melhor do que o andar de carro.”

Isso é obrigatório.
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6 motivos para investir em chatbots agora mesmo

Tendência em automação de atendimentos vai ao encontro da transformação digital

Chatbots são cada vez mais comuns em nossas vidas, presentes em aplicativos, sites e sistemas operacionais. No Brasil, a criação de bots para os mais diversos fins tem se intensificado. De acordo com a pesquisa Mapa do Ecossistema de Bots (Mobile Time/Opinion Box, 2019), houve um aumento de 100% no número de mensagens trocadas em chatbots de 2017 para 2019, saindo de 500 milhões de mensagens/mês para 1 bilhão/mês. 

Os números vão ao encontro das mudanças de comportamento do consumidor, que busca ter menos aplicativos instalados, com chatbots podem resolver problemas direto em apps que já possuem (Facebook, WhatsApp, etc.), além do desejo de entrar em contato com empresas sem precisar ligar e ter respostas diretas e rápidas e a interação com aplicativos de mensagem, que chega a 100% dos usuários de internet. 

Na conferência Super Bots Experience 2019, evento que reúne líderes brasileiros na área, incluindo o editor-geral do Agora é Simples e CEO da OnBoard, Luiz Renato M. Mattos, a tônica foi o aprofundamento da tendência de chatbots em nichos de mercado, com desenvolvedores especializados em segmentos, como a saúde, segurança e mobilidade urbana. 

Para entender o atual contexto de expansão desse mercado, é necessário abordar as vantagens do investimento em chatbots, adotados por empresas de diferentes tamanhos e segmentos. 

Eficiência operacional 

Chatbots podem ser usados em diferentes âmbitos, tanto na relação com o público externo quanto interno. Processos comunicacionais, de educação, qualificação de clientes, pesquisas, agendamentos e reservas podem ser automatizados. 

Marcel Cunha, CTO da OnBoard Mobility, que desenvolve chatbots para o setor de mobilidade urbana, afirma que essas soluções agilizam processos rotineiros. “Ficou claro que os chatbots, principalmente por estarem rodando, em grande maioria, nas redes sociais, são um ótimo canal de comunicação com os usuários, e que eles podem ser utilizados como uma excelente fonte de informação e automatização de processos com grande alcance.”

O potencial dessa eficiência a partir de chatbots, no entanto, precisa ser explorado, não se limitando às primeiras etapas de automação. “Estamos muito “apegados” a soluções que usam os chatbots para automação de processos e respostas, mas esquecemos do fato que os mesmos podem ser um canal de comunicação excelente”, afirma o executivo. 

São complementares aos aplicativos

Há indícios de que chatbots complementam aplicativos na medida em que atendem clientes que antes faziam uso de serviços presenciais e não por outros aplicativos. É o que indica um estudo exploratório da OnBoard Mobility divulgado na comunidade Bots Brasil. 

De acordo com a pesquisa feita com sua base de clientes do aplicativo e do chatbot de recarga do Bilhete Único de São Paulo, a maioria dos que compram créditos por chatbot faziam antes em estações de trem e metrô.

Por outro lado, quem usa o app já usava outros apps antes e tinha menor tendência a comprar créditos em lugares físicos.

Tendemos a acreditar que o digital é ter um aplicativo, mas muitas vezes o cliente não está no digital, pois ele não possui mais espaço para instalação de aplicativos em seu smartphone. Ao analisar o perfil do usuário de smartphones no Brasil, pode-se perceber que muitos possuem pouco espaço de armazenamento disponível e, portanto, um chatbot em app já baixado (como Messenger ou WhatsApp) é mais viável do que a instalação de mais um aplicativo com função específica. 

Sendo assim, de maneira exploratória é possível perceber que aplicativos e chatbots são complementares, e não concorrentes. Chatbots representam um novo canal de relacionamento alinhado às necessidades dos consumidores atuais, sem apresentar um risco ou um investimento duplo se comparado aos aplicativos. 

Redução de custos

Atendimento

Milhões de empregos estão em franca transformação e no setor de atendimento chatbots têm destaque especial. Companhias estão descobrindo que os consumidores estão cada vez mais preparados para receber atendimentos por robôs e, caso esse tipo de atendimento represente uma conversa direta, sem filas e com fácil resolução, é até mesmo preferível do que o atendimento humano. 

Somado a predisposição de digitalização das relações, as funções do mercado de trabalho serão cada vez mais tecnológicas, com profissionais novos ou já atuantes tendo a necessidade de conhecer processos inovadores em contraponto aos postos que deixarão de existir. 

O professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Harari, autor do best-seller “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, lembra que não é errado ou ruim acabar com funções repetitivas e chatas. Ele defende que novos trabalhos sejam criados no lugar, principalmente aqueles onde as habilidades únicas de humanos façam a diferença. “O que precisamos realmente proteger não são os empregos, são os humanos”.

A pesquisa “AI em Fintech: Roboadvisors, Lending, Insurtech & Regtech 2019-2023” analisa que o setor financeiro deve reduzir US$ 7,3 bilhões em custos com a adoção de chatbots inteligentes. No Brasil, já há indícios de que essa transformação esteja acontecendo, como a redução de 25% dos atendimentos por telefone no transporte público da região metropolitana de Belo Horizonte com automação por chatbots.

Chatbots como sistemas de atendimento fazem com que o custo por chamado seja inversamente proporcional à capacidade de atendimento, ou seja, quanto mais atendimentos por chatbots menor o custo por chamado, ao passo que, com funcionários, o custo aumenta de forma linear com o acréscimo de salários e infraestrutura. 

Em contraponto à redução de funcionários no atendimento, o uso bem feito de chatbots abre margem para análise profunda do comportamento do consumidor, o que qualifica empresas para trabalhar com inteligência de mercado, área responsável por  captar informações da ponta, ou seja, dos clientes, interpretar e levá-las para a área de negócios, possibilitando o desenvolvimento de soluções. 

A inteligência de mercado ainda é pouco explorada no Brasil, principalmente devido aos altos custos e dificuldades em obter as informações e ferramentas para tal. Experiências ruins com chatbots também inviabilizam todo o potencial da solução em gerar insights de mercado, portanto escolher criteriosamente o parceiro de desenvolvimento é fundamental para o sucesso da iniciativa de chabot.  

Com a redução do atendimento feito por humanos, empresas podem reduzir também seus custos treinando novos funcionários, tema do próximo tópico. 

Treinamento 

O índice de rotatividade das empresas representa a taxa média de demissões (voluntárias e involuntárias) de uma empresa e, em empresas saudáveis, essa rotatividade encontra-se na média de 5%, embora possa ser muito maior em alguns setores/culturas empresariais. 

A cada nova demissão e recontratação, as empresas gastam com treinamento do novo colaborador. Na área de atendimento, em especial, é inevitável o treinamento e, neste setor no Brasil, os índices de rotatividade podem passar dos 10% ao mês. Isso significa que, a cada 10 meses, todos funcionários de atendimento são trocados, implicando em custos com rescisão, contratação e treinamentos que, com a recorrência que ocorrem, podem ser considerados praticamente como um custo fixo para empresa.

Esse trecho sintetiza bem o espírito de nosso tempo: trabalhos desaparecerão, mas novas posições complexas e intrinsecamente humanas, sobretudo analíticas, serão mais essenciais do que nunca. Aos chatbots reserva-se as funções que podem ser automatizadas com redução de custos, otimização de tempo e evolução constante na integração robô-cliente. 

Retrabalho

Esse ponto é bastante simples: robôs não erram! Tarefas repetitivas podem levar humanos à exaustão e, por consequência, ao erro, perdendo um tempo posterior de correção dessas falhas. 

Robôs, ao contrário, são excelentes em repetir ações e com o uso de Inteligência Artifical e Machine Learning, até mesmo podem aprender com novas interações. Portanto, escolher um chatbot para determinadas funções reduz o tempo com retrabalho. 

Capacidade de atendimento em alta demanda

Equipes de atendimento possuem limitações, sobretudo em momentos excepcionais, como crises com a marca/empresa e promoções. Problemas externos também podem afetar a capacidade de atendimento ao usuário. 

Na pandemia do Covid-19, por exemplo, o número de conversas por chatbot cresceu 100% nos países em que a Ibenta, divulgadora do dado, tem sede e clientes na área. São nações como Brasil, China, Estados Unidos, Japão, Austrália e alguns países da Europa. 

Em um contexto de alta incerteza, companhias aéreas, bancos, agências de viagem e telecomunicações recebem um grande número de chamadas que, mesmo se aumentarem o número de atendentes, dificilmente conseguiriam atender toda a demanda. Outros setores sofrem ainda com a redução da jornada de trabalho de seu time de atendimento, comprometendo a eficiência operacional. 

Chatbots, por sua vez, estão disponíveis aos consumidores 24 horas, 7 dias por semana. Enquanto atendem dúvidas recorrentes e fazem serviços comuns, a equipe de atendimento pode se concentrar na resolução de problemas mais profundos. 

Além disso, o padrão de atendimento continua o mesmo independentemente do número de chamados – ou até mesmo do humor do atendente em determinado dia – garantindo constância na experiência. 

Por todas essas razões fica evidente que empresas de todos os tamanhos podem investir em chatbots e otimizar suas operações, garantindo rapidamente o retorno do investimento. Consumidores satisfeitos e redução de custos são a máxima do nosso tempo e chatbots são um dos caminhos para esses objetivos.

Isso é obrigatório.
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A Falência do Transporte Público Tendências Globais

Parte 2 da série de reportagens especiais do Agora é Simples mostra tendências que estão fora do controle dos operadores de transporte

No primeiro artigo da série “A Falência do Transporte Público” abordamos a crise no modelo de financiamento brasileiro, que busca alternativas às decisões políticas, obrigatoriedades legislativas e inovações tecnológicas. 

Nesta parte abordamos outro aspecto fundamental para entender a situação atual do transporte público no país: tendências globais que afetam a forma como as pessoas se movimentam pela cidade, o que impacta diretamente nos serviços de transporte coletivo de massa. 

Radicalização do trabalho à distância

Em tempos de coronavírus um termo inglês ganhou destaque como nunca: home office. O trabalho remoto, na verdade, vai além da casa, pois pode ser feito de qualquer lugar.  A modalidade altera a relação de pessoas com a vida profissional e vai ao encontro da tendência de menos deslocamentos nas grandes cidades. 

Engana-se quem pensa que trabalhar de casa é coisa de preguiçosos ou que o trabalho rende menos. Pesquisa americana do instituto Gallup indica que quem trabalha de casa dedica até 4 horas a mais do que aqueles que frequentam os escritórios. A produtividade também pode dar um salto de 20% a 40%, de acordo com o mesmo estudo.

Com a pandemia do Covid-19 no Brasil, o incentivo ao trabalho remoto foi radicalizado e pessoas que nunca tinham praticado a modalidade antes agora experimentam e descobrem uma nova possibilidade de relação com o trabalho. 

Em consequência a essa nova relação social existe um novo padrão de consumo atrelado a como as pessoas passam a usar o espaço geográfico. De grandes distâncias, para perto de suas casas, de deslocamentos diários, para contatos virtuais. O surgimento de soluções para o trabalho do futuro evidenciam o reposicionamento das pessoas em seus movimentos. 

Uma solução nessa nova realidade é o Boxoffice, um espaço de trabalho autônomo instalado em pontos de São Paulo equipado para atender às necessidades de diferentes tipos de profissionais. O agendamento é feito via aplicativo. A diretora da empresa, Roberta Carvalho, conta que o público dos boxes são todos aqueles que precisam de uma estrutura de apoio profissional em locais diversos da cidade, ou mesmo para aqueles não possuem condições de manter um escritório, como profissionais autônomos, liberais, coaches e psicólogos. 

Para a executiva, o momento atual rompe barreiras que ainda existiam em relação ao trabalho remoto em diversos segmentos “está havendo uma quebra de paradigma onde havia resistência no modelo de trabalho remoto, seja home office ou anywhere office, enfraqueceu. Imagina uma empresa que era totalmente física sendo obrigada a ficar dias no modelo digital?”. A movimentação das pessoas muda e os meios de transporte mudam junto, se adaptando à realidade. Sobretudo as viagens para trabalho serão impactadas, o que só em São Paulo são 18,6 milhões por ano, segundo a pesquisa Origem e Destino do Metrô (2017). 

Sobre isso, Roberta Carvalho afirma “Modelos de negócio estão mudando, as pessoas querem se deslocar o menos possível para realizar suas tarefas do dia-a-dia, com maior mobilidade e salvando tempo na vida delas. Nosso objetivo sempre foi este, simplificar rotinas e diminuir deslocamentos”, finaliza. 

Roberta Carvalho e o sócio César Concone

Longe de ser coisa apenas de startups, a mudança no consumo atinge também empresas tradicionais. A brasileira Simpress, por exemplo, que faturou R$485 milhões em 2014 e é  referência na terceirização de equipamentos viu a demanda por aluguel de notebooks explodir. Mas, ao invés de fechar contratos de curto prazo que supram as necessidades do contexto de trabalho à distância atual, a empresa privilegiou contratos de longa duração, indicando que o cenário favorável ao trabalho remoto veio para ficar mesmo após a pandemia.

Mais trânsito com apps de rotas

A Teoria da Tragédia dos Bens Comuns de Garret Hardin é um conceito que pode ser usado para entender o que acontece nas vias públicas brasileiras: 

A tragédia dos comuns (também denominada tragédia dos bens comuns) é uma situação em que indivíduos agindo de forma independente e racionalmente de acordo com seus próprios interesses comportam-se em contrariedade aos melhores interesses de uma comunidade, esgotando algum recurso comum. A hipótese levantada pela “tragédia dos comuns” declara que o livre acesso e a demanda irrestrita de um recurso finito termina por condenar estruturalmente o recurso por conta de sua superexploração.

Como abordamos no item “subsídio cruzado mal distribuído” da parte 1, uma tendência para repensar o financiamento do transporte público é a divisão dos custos com quem anda de carro, na proposta da taxa de congestionamento.

O nome, a princípio, pode parecer mais uma taxação do Estado ao cidadão, mas a solução encontra respaldo científico com a Teoria da Tragédia dos Bens Comuns. A utilização de carros em grandes cidades é feita por meio do espaço viário, que é limitado. Logo, podemos considerar que as ruas e avenidas são um bem finito e, portanto, o ônus dos veículos em movimento congestionando as ruas é compartilhado com todos aqueles que precisam usar as vias públicas. 

Quando um ônibus cheio de pessoas está parado em um trânsito ao lado de carros com uma pessoa só, como é corriqueiro, quem está no conforto de seu carro está dividindo o custo social do seu privilégio com todos, inclusive a massa apertada no ônibus. Nesse aspecto, nada mais justo do que quem está no carro compensar seu benefício. 
Nos últimos anos, vimos a explosão de duas tecnologias: aplicativos de rota, que traçam caminhos alternativos às vias principais congestionadas e carros compartilhados, como 99 e Uber. Embora surjam para solucionar problemas, outras questões apareceram após a popularização dos serviços.

Um estudo da Universidade da Califórnia evidencia que o Waze, expoente dos apps de rota, ao invés de melhorar o trânsito, piora. Ao enviar todos os motoristas para vias paralelas que não estão preparadas para suportar um grande número de carros o congestionamento acontece de qualquer forma e ainda demora mais para acabar do que aquele registrado nas vias principais. 

O vídeo ao lado, feito pelos pesquisadores da Universidade, simula como o trânsito reage a um acidente que bloqueia uma via principal em duas condições: quando nenhum motorista usa aplicativos de mapas e quando 20% deles usam. Quando alguns têm acesso a essa informação, criam-se congestionamentos nas vias secundárias que levam a prejuízo ainda maiores.

Carros compartilhados ainda são carros

O Uber e similares, por sua vez, costumam ser apontados como soluções para o trânsito em grandes cidades, por permitirem que muitas pessoas deixem seus carros na garagem. No entanto, eles podem estar causando justamente o contrário.

Segundo uma pesquisa feita pelo analista de transporte Bruce Schaller, Uber e sua concorrente americana, Lyft ajudam a piorar o congestionamento de grandes cidades porque não conseguem fazer as pessoas trocarem seus carros pelo novo modelo.

O levantamento indica que o veículo pessoal é substituído em apenas 20% das corridas. O táxi perde a vez em 20% das situações. A maior parte das viagens, 60%, seria realizada com o transporte público, com uma bicicleta, a pé ou nem chegariam a ser feitas.

Para a maioria das pessoas que usam seus próprios carros, os aplicativos de transporte são alternativas somente quando vão a locais difíceis para estacionar ou quando pretendem beber.

Com isso, Uber e Lyft adicionam anualmente cerca de nove bilhões de quilômetros percorridos com carros em nove das maiores cidades dos Estados Unidos: Boston, Chicago, Los Angeles, Miami, Nova York, Filadélfia, São Francisco, Seattle e Washington, DC.

A informação sobre a piora no trânsito foi confirmado por um estudo realizado pela consultoria em transporte Fehr & Peers contrato pela própria Uber e Lyft. Em boa parte das distâncias percorridas, os carros circulam vazios – quando o motorista não tem corridas ou está se dirigindo ao local do passageiro. Para iniciar uma viagem de pouco mais de nove quilômetros, os veículos de Uber e Lyft percorrem quase cinco quilômetros.

No entanto, é notável que os transporte por aplicativo também trouxe ganhos para a sociedade como a democratização do acesso da população mais pobre a um meio de transporte “de ponta a ponta”, principalmente para viagens de lazer. 

Portanto, para solucionar esse problema complexo, a regulação é fundamental. Não uma limitação ou proibição como alguns governos propõem – que pode levar ao encarecimento dos serviços devido a baixa oferta. Segundo o próprio Bruce Schaller a saída está na promoção de políticas públicas e de regulações. Segundo ele, os governantes devem se concentrar em “limitar os veículos de baixa ocupação, aumentar a ocupação dos aplicativos de transporte e de táxis, mudar a operação de veículos comerciais e garantir serviços de ônibus e trens mais frequentes e confiáveis”.

Desemprego e informalidade

O Brasil tem cerca de 12 milhões de desempregados (IBGE, 2019) e na mesma pesquisa do ano passado, dos postos de trabalho criados no período, 87,1% eram informais. Se há alguma recuperação na situação desde a retomada do crescimento econômico em 2017 e da Reforma Trabalhista a mudança é principalmente para trabalhos informais, sem carteira assinada ou CNPJ. 

Esse cenário impacta diretamente o transporte público, pois desempregados e trabalhadores informais não têm direito ao Vale-Transporte, sendo este benefício uma fonte de renda importante para empresas de transporte. A Lei n.º 7.619 de 1987 tornou obrigatório o pagamento do Vale-Transporte e determina que até 6% do salário de funcionários sejam alocados à sua mobilidade, com o restante do custo sendo pago pela empresa. Esse valor é por vezes alocado diretamente em cartões de transporte em nome dos funcionários. 

Dessa forma, sistemas de transporte público contam com uma receita recorrente advinda diretamente da aquisição de créditos por parte das empresas. Porém, com a crescente informalidade o Vale-Transporte perde relevância. A  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) aponta que em 2019 41,4% dos brasileiros estavam no mercado informal, e neste percentual encontram-se sobretudo os mais pobres, que precisam se locomover por meio do transporte público.

O desemprego acima dos 10% atualmente, a recente reforma trabalhista e a facilitação de aderência ao MEI (Microempreendedor individual) só aumentam o número de pessoas que não têm carteira assinada (CLT), forma pela qual é possível obter o benefício do Vale-Transporte e, por consequência, gerar receitas recorrentes ao transporte público. Diante dos desafios do mercado após a crise pandêmica, os números da informalidade e desemprego deve aumentar ainda mais, como afirma a Fundação Getúlio Vargas prevendo retração na economia brasileira em 2020.

Necessidade de mais eficiência produtiva

Num mundo altamente competitivo, a eficiência produtiva tornou-se chave para a manutenção de negócios, e a transformação digital é um meio fundamental para atingi-la. Entretanto, no setor de transportes como um todo, a transformação digital ainda se encontra muito atrás de setores líderes, como serviços financeiros e varejo, como mostra a pesquisa Transformação Digitais no Brasil da consultoria McKinsey. 

Falando especificamente do transporte público, a dificuldade em investimentos desacelera a transformação digital e “ata” empresas à soluções de tecnologia datadas. É o caso das empresas de bilhetagem que, por vezes, possuem contratos de longo prazo ofertando diminuição de custos mas sem proporcionar atualizações tecnológicas necessárias para transformar positivamente a operação de transporte. 

Já em 2003 a Associação Nacional de Transportes Públicos alertava em seu paper “Bilhetagem automática e gestão nos transportes públicos” que as práticas comerciais de fornecedoras de bilhetagem no Brasil atrasavam a inovação tecnológica. 

““[…] os cartões e bilhetes somente podem ser comprados dos fornecedores, onerando bastante as compras. Outra grande restrição para os sistemas é a exigência de se pré-formatar/inicializar os cartões inteligentes somente pelo fornecedor de tecnologia, prejudicando muitas vezes a logística de distribuição – compra, armazenamento e venda”. 

Esse trecho do documento aborda os sistemas proprietários, ou seja, aqueles de posse do fornecedor onde não é permitido o livre desenvolvimento de soluções. Sistemas assim encarece  qualquer nova aplicação. Não conseguimos encontrar dados que comprovem que o cenário mudou no último 17 anos, pelo contrário, relatos de empresários do setor reforçam o fato de que essa prática continua e é unânime entre os fornecedores de bilhetagem eletrônica no país.

Para se manter sustentável e entrar no século XXI de verdade o transporte público precisa de novas práticas e isso inclui rever seus fornecedores, pois, para vencer os desafios atuais, os gestores precisam de ferramentas atuais. 

Com toda a perspectiva de aumento da informalidade, do trabalho à distância, da expectativa de vida e de piora no trânsito o transporte coletivo de massas enfrenta um cenário difícil de expansão. Os remédios corretos devem ser aplicados antes que seja tarde demais.

Leia a parte 3: Concordata

Isso é obrigatório.
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A transformação digital no transporte público está acontecendo com a ajuda da ONBOARD

Startup fornece soluções completas em hardware e software para requalificação do transporte público no Brasil

Empresas de transporte pelo país todo encontram desafios enormes para levar mais inovação para suas operações. Há pouco estímulo e margem para investimentos, além disso, a segurança que o vale-transporte deu a essas empresas até então foi o suficiente para garantir receitas para financiar a operação. Nos últimos anos, porém, esse modelo entrou em declínio.

O estopim foram as manifestações de 2013 que inicialmente questionavam os aumentos constantes e acima da inflação no transporte público da maioria das cidades do Brasil. Como grande parte dos sistemas de transporte são baseados em ônibus e totalmente dependentes da tarifa paga pelo usuário, aumentos nos preços dos insumos, como o diesel, levam a reajustes tarifários, incentivando a troca do transporte coletivo pelo individual. 

Esse ciclo de aumentos e perda de clientes culmina numa estagnação de investimentos em infraestrutura e tecnologia. Entretanto, esses investimentos em transformação digital são extremamente necessários para requalificar o transporte público, gerar economia operacional e renovar o interesse do público por este serviço. Por isso, a transformação digital é um dos pilares fundamentais de recuperação do protagonismo do transporte público. 

Apesar de ser mais comum hoje um app ou um site, isso apenas não basta para ser chamado de ‘transformação digital’. Pelo contrário, a transformação digital deve ser encarada como uma mudança de paradigma, cultural e operacional, que transforma a relação com clientes, o mercado e modelos de negócios tradicionais.

Nesse texto, você encontrará:

  1. A transformação digital com a ONBOARD: relacionamento e pagamento
  2. Relacionamento e chatbots
  3. A Bilhetagem Digital
  4. Para gestores: a Bilhetagem Digital
  5. Para clientes: a Bilhetagem Digital

A transformação digital com a ONBOARD: relacionamento e pagamento 

A ONBOARD nasceu com o objetivo de transformar digitalmente o transporte público no Brasil e no mundo. Inicialmente, pensou que poderia fazer isso apenas por meio de software: um app que digitaliza o cartão de transporte (ex: o Bilhete Único) e o integra a outros (ex: o BOM), muito útil numa região metropolitana, por exemplo. 

Ao entrar no mercado, ficou claro que os desafios tecnológicos do setor eram maiores do que apenas um novo app e software. Até mesmo porque as empresas de bilhetagem, responsáveis pelas transações no transporte público com seus validadores, não estavam e não estão interessadas em inovação disruptiva pois seus modelos de negócio são baseados na retenção de empresas de transporte e na exclusividade no fornecimento de tecnologia. Dessa forma, o transporte público está preso a práticas de mercado que atrasam a inovação. 

Pensando nisso, a OnBoard mudou seu roteiro original e passou a oferecer alternativas que não dependem dessas fornecedores de tecnologia tradicionais. Começou aí a transformação digital do transporte sob os olhos de uma startup, por meio do relacionamento com o cliente e da tecnologia.

Relacionamento e chatbots

Imagine ter 25% dos seus atendimentos mensais automatizados por um chatbot com uso de Inteligência Artificial (IA) em apenas 4 meses, com níveis altíssimos de satisfação. Isso é possível no transporte público com  a Sol, chatbot da região metropolitana de Belo Horizonte criada pela ONBOARD

A Sol faz o agendamento de atendimento de clientes do transporte público por Facebook e Messenger, além da recarga e solução de dúvidas. Antes, era necessário ligar ou comparecer fisicamente a um posto de atendimento. Agora, os cidadãos podem ir com a hora marcada, sem ficar esperando na linha telefônica ou na fila. A avaliação de satisfação da Sol chegou a níveis altíssimos em pesquisa com clientes.

Com chatbots espalhados pelo país inteiro (SP, BH, Paraná, etc.), a OnBoard tem conseguido digitalizar serviços até então presenciais ou que dependiam de apps pesados – um terror para o brasileiro e seus celulares com pouca memória. 

Horário dos ônibus, recarga, dúvidas frequentes…Tudo com um robô. É claro que há casos complexos que não podem ser resolvidos apenas com a Inteligência Artificial. Nesses casos, um humano é solicitado. 

De forma geral os chatbots vão muito além de um aplicativo, pois estão em constante aprendizado com a IA, oferecendo novos recursos, únicos para cada localidade e população. 

Apesar disso, para atingirem todo seu potencial é necessário pensar também em um sistema de bilhetagem que seja tão digital quanto os chatbots. 

A Bilhetagem Digital

Motivado pelo bloqueio das fornecedoras de tecnologia tradicionais à entrada de novos prestadores de serviço ao transporte público, o hardware e o software que compõem o sistema OnBoard foram desenvolvidos para oferecer um serviço novo, digital, facilmente integrável a outros modais e o mais importante: econômico aos operadores de transporte. 

As soluções de hardware e software do sistema OnBoard se complementam, sendo uma plataforma completa mais concisa e com uma maior valor agregado, fugindo do modelo de fornecedor de hardware e tecnologia fechados, partindo para um modelo onde a integração é a base. Entenda mais a seguir. 

Para gestores: a Bilhetagem Digital

O Dispositivo de Bilhetagem Digital (DBD), hardware desenvolvido pela ONBOARD, atua na identificação do cliente, com as transações sendo processadas pelo backoffice. Dessa forma, o hardware da OnBoard apresenta uma proposta inovadora em relação à concorrência. O DBD é um equipamento poderoso e sofisticado que consegue ser mais barato que seus concorrentes.

O DBD usa o software livre Android, sem custos extras de softwares proprietários e seu desenvolvimento é modular.  Isso significa que funções como aceitação de cartões bancários, biometria, etc. são ajustáveis para cada operação, disponibilizando uma versão básica funcional para todos os tipos de operadores de transporte. 

DBD em 3D

Em resumo, o DBD é um contraponto aos hardwares de bilhetagem atuais, que mesmo quando buscam inovar em seus sistemas com tecnologias digitais permanecem com práticas de concentração de mercado que amarram empresas de transporte e dificultam a ampla concorrência, por exemplo, ao usar softwares proprietários. 

Uma dúvida comum de gestores de transporte é sobre a migração de seu sistema atual para um novo. Atualmente, quando isso acontece, todos os clientes precisam trocar seus cartões de transporte, pois as bilhetagens não se conversam. 

Esse problema é resolvido pela Bilhetagem Digital, pois ela é periférica à bilhetagem tradicional. O serviço pode ser utilizado em conjunto a bilhetagem existente até que todos os cartões sejam trocados ou o acesso por celular seja popularizado. É possível, também, transferir o saldo dos cartões físicos para a nuvem, nos casos em que os smartcards sejam ao menos da tecnologia MIFARE Plus.

É claro que ainda podem ocorrer atritos na experiência como qualquer transição sempre gera, mas o fato de existir em paralelo por tempo indeterminado dá flexibilidade às empresas para criarem estratégias eficientes e o mais econômicas possíveis para atender seus clientes. Fora isso, a OnBoard é o parceiro ideal para apoiar a operação durante a transição montando um plano de ação para implementação e migração do sistema. 

Para clientes: o Bilhete Digital 

Para os clientes, com a Bilhetagem Digital fica mais fácil acessar o transporte público, seja com cartões físicos controlados digitalmente ou um Bilhete Digital disponível em QR Code em aplicativos e chatbots. O Bilhete Digital para consumidores finais diminui a evasão causada por dificuldades de acesso aos créditos, bilhetes e cartões físicos. 

Além disso, pela liberdade proporcionada pelo Sistema Operacional Android e pela política da OnBoard, operadores de transporte podem facilmente criar tarifas dinâmicas, diferenciadas e proporcionar integração com outros modais, expandindo a competitividade do transporte público em um momento de queda de demanda. Tamanha flexibilidade para ações de marketing e retenção jamais foi possível com os lentos softwares de bilhetagem atuais. 

Em suma, a Bilhetagem Digital é um sistema completo com equipamento inovador em sua concepção e consideravelmente mais eficiente e completo para as necessidades atuais de pagamento, integração e qualificação do transporte público. 

Ao ter um desenvolvimento orientado ao software que garante operações complexas o sistema OnBoard de Bilhetagem Digital fornece os mesmos recursos que a bilhetagem tradicional de maneira econômica e única, com uso de novas tecnologias ainda não empregadas no transporte público do Brasil. 

Todo esse processo transparente garante uma nova relação entre tecnologia e transporte público, gerando a transformação digital que já chegou ao varejo e ao setor financeiro, mas que ainda patina nos transportes. 

A ONBOARD está disponível para um café ou um bate-papo pela web para tirar dúvidas e falar mais sobre transformação digital no transporte público.

Envie uma mensagem no WhatsApp ao lado ou ligue para 11.2348-5160

Isso é obrigatório.
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Por que empresas de transporte precisam falar em Transformação Digital

A transformação digital no transporte público é um assunto urgente para o futuro do setor no Brasil

Os negócios neste século estão passando por uma transformação digital profunda atrelada principalmente à disrupção tecnológica que muda modelos de negócio. 

As empresas nascidas na era anterior possuíam uma proposta de valor praticamente imutável, constante, mas esse valor duradouro faz cada vez menos sentido num contexto de transformações rápidas e onde concorrentes aparecem com novas propostas de valor chamativas e inovadoras a todo momento. 

Nesse sentido, a transformação digital é necessária para acompanhar as mudanças no mercado e sobreviver em um mundo cada vez mais competitivo. Por isso, neste texto abordamos os seguintes aspectos:

  1. O que é transformação digital
  2. Transformação digital no transporte público
  3. Novos caminhos a partir da transformação digital
  4. Principais dificuldades para transformação digital no setor de transportes

O que é a transformação digital

As empresas de base tecnológica, também conhecidas como startups, inovaram ao adotar novos pontos de vista sobre seus produtos e serviços, usando de Big Data, Inteligência Artificial, Machine Learning e outras tecnologias. 

Além disso, tão importante quanto são os métodos ágeis e a diminuição da complexidade nas relações com foco absoluto na experiência do cliente. 

Num primeiro momento gestores podem imaginar que a transformação digital é possuir um aplicativo ou um sistema embarcado moderno. Mas vai muito além disso. 

A transformação digital envolve toda a empresa em uma cultura comum, o que por si só já é mais complexo do que simplesmente delegar ao setor de TI uma nova aplicação online. 

Para haver uma transformação digital real é necessário uma orientação dos negócios da empresa aos dados – que são gerados numa quantidade e velocidade únicas -, à experiência do usuário e aos processos ágeis baseados em testes e validações.

Transformação digital no transporte público

Na mobilidade urbana, a transformação digital é cada vez mais nítida quando analisamos como um serviço como o Uber que se enraizou em nossa sociedade e tem conquistado fatias importantes do deslocamento das pessoas pelo mundo todo, mesmo sem possuir carros. Segundo a Pesquisa Origem e Destino do Metrô São Paulo, as corridas por apps já somam 362 mil ao dia na capital paulista; táxis fazem três vezes menos viagem.

Por outro lado, o transporte público junto aos carros são grandes responsáveis por como as pessoas se movimentam nas cidades, porém enquanto possuir um carro chega quase a ser estranho para muitos millennials, a relação com o transporte massivo de pessoas continua bastante similar. Até mesmo em tecnologia, com bilhetagens antigas sujeitas a fraudes e outros problemas de integração, há pouca inovação desde o surgimento dos cartões inteligentes, como o Bilhete Único.

A indústria automobilística tem conseguido alterar o status do carro gradualmente em uma agenda global, com o apoio de novos serviços de compartilhamento de carros, caronas e outros.

Embora pareça estranho ter um carro para uma parcela da população, o uso ocasional, como “serviço”, do carro é bem visto numa dinâmica de multimodalidade na era digital.

Andar a pé, metrô, ônibus, trem, bicicleta, patinete, carro, carona, moto táxi… As variedades são cada vez maiores. 

Entretanto, a mesma transformação digital que está mudando os negócios automobilísticos ainda não chegou ao transporte massivo de pessoas. Principalmente o transporte coletivo no Brasil, seja urbano ou rodoviário, se mantém em sistemas antigos, códigos que sustentam todos os dados da empresa mas que ao mesmo tempo atrasam a inovação.

Sem uma agenda de transformação digital, que alie experiência do cliente, digitalização de serviços e uma cultura voltada à inovação, o transporte coletivo de pessoas está sujeito a novos entrantes vorazes por sua parcela de mercado. 

A Buser é um exemplo. A startup recebeu R$ 300 milhões em investimento no último mês de outubro e tem conquistado vitórias em tribunais federais em disputa com empresas de ônibus tradicionais, onde se questiona a legalidade de atuação da novata. 

O modelo de negócios da Buser consiste em “conectar” ônibus para locação com consumidores. As viagens são agendadas e realizadas se há gente suficiente para dividir aquele trecho por ônibus.

Empresas de ônibus tradicionais possuem muito mais cobranças em suas operações do que a Buser, com itinerários aprovados pela ANTT, sujeição à decisões do legislativo das cidades, regras e gastos obrigatórios como gratuidades e taxas de uso em rodoviárias.

Sem nada disso, a Buser entra no mercado com outra proposta que tem movimentado o setor rodoviário e é acusada de desleal por alguns.

Novos caminhos a partir da transformação digital

No transporte público urbano há uma precarização em seu modelo de negócios, com ajustes sufocados pelo poder público, o que complica as empresas, e o alto custo para o consumidor, que não suporta mais elevações constantes de preço.

Esse contexto leva à perda de passageiros para outros modais, principalmente carros e o andar a pé. Com menos dinheiros das passagens, operadores de transporte coletivo entram num círculo vicioso. 

Fonte: NTU. Diminuição no fluxo de passageiros em diversas cidades do Brasil.

A transformação digital, portanto, surge como alternativa ao retorno da competitividade de empresas de transporte pelo Brasil. Com negócios bastante regulados, o caminho pela transformação digital libera os negócios de altos custos com servidores antigos, manuseio de dinheiro em espécie, distribuição de cartões de transporte, entre outros serviços, além de gerar possibilidade de receitas extra tarifárias.

O que as empresas de ônibus líderes têm feito é se associar a startups para trazer essa disrupção “internamente”, antenadas na necessidade urgente de rever seus modelos de negócio e operações tendo em vista novas tecnologias

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), por exemplo, está atenta a isso. Na primeira edição do COLETIVO, programa de inovação da entidade, a OnBoard Mobility, startup que criou uma Bilhetagem Digital, foi vencedora do desafio, levando o grande prêmio e chamando a atenção para a proposta de Account Based Ticketing (ABT) com software aberto Android, se diferenciando das concorrentes com seus sistemas fechados. 

Esse é um primeiro passo para a recuperação do transporte público, é claro, pois há ainda que rever os modelos de concessão e financiamento, pouco feito pelo Estado, mesmo que este último tenha acrescentando o transporte público como direito do cidadão na Constituição Federal. 

Por fim, a transformação digital alivia as finanças e põe no páreo novamente as empresas de transporte que vivem no século passado.  Além disso, abre a possibilidade de deslocamento do valor que as empresas oferecem para novas frentes de negócio.

Principais dificuldades para transformação digital no setor de transportes

É comum que alguns setores demorem para adotar novos processos e tecnologias, muitos acreditando que a inovação não chegará até elas. Mas isso é um grande erro, como bem diria o CEO da Kodak hoje. 

Segundo o estudo “Transformações digitais no Brasil”, da consultoria global McKinsey, o setor de transportes e infraestrutura do país está abaixo da média de transformação digital em comparação a outros mercados, principalmente varejo, serviços financeiros e telecom. 

Falta iniciativa e espaço para investimentos, além disso, o desafio cultural se mostra um fator importante para a não adoção da transformação digital. 

Pensando nos ganhos do longo prazo e nos riscos em ficar parado no tempo a transformação digital se mostra como um investimento fundamental para a superação de grandes problemas do setor de transportes, como seu financiamento. 

Uma mudança cultural e operacional, por exemplo, pode diminuir até 25% dos atendimentos por telefone em 4 meses em uma empresa de transporte coletivo, colaborando para a economia com atendentes, centrais telefônicas e ligações. 

Igualmente, o manuseio de dinheiro físico é custoso. A Pesquisa Tendências realizada pela Mastercard já sinalizava em 2015 que 62% dos comerciantes declaram que a aceitação de cartões contribuiu para a redução no custo operacional.

Empresas sobreviventes serão aquelas a entender que a transformação digital é a saída imediata para a crise no setor de transportes e sua volta à competição com empresas de tecnologia. 

A OnBoard Mobility atua na transformação digital do transporte público urbano e rodoviário no Brasil. Nos envie uma mensagem no box do WhatsApp ao lado agora mesmo e vamos conversar sobre inovação e tecnologia na sua empresa.

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