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Desafios e possibilidades para a mobilidade urbana em 2021 – Não durma no ponto!

As principais notícias da última semana em uma leitura rápida e informativa. Comece a semana conectado no mundo. Não durma no ponto!

Foto: Rafael Martins/WRI Brasil.

2020 foi repleto de feriados nas segundas-feiras, ufa! Além desses, outra coisa que marcou o ano – além da pandemia – foram as articulações em defesa às causas sociais. Não obstante, o setor de transporte também discute o tema, afinal, estamos em constante movimento e comunicação, e as causas sociais surgem nas formas de tratamento entre indivíduos de diferentes posições sociais.

Para isso, dentro da mobilidade urbana, inúmeros estudos e projetos vêm dando visibilidade ao tema, como é o caso da plataforma Direção Feminina, articulado pelo Agora é Simples junto com a ONBOARD.

Para saber quais são as outras iniciativas e se já ocorrem na sua cidade, clique aqui.

Outros desafios também beiram a mobilidade nas prefeituras

Existem desafios que precisarão ser enfrentados na próxima gestão e poucos candidatos estão colocando em pauta, ou se quer se lembram.

Faltando menos de uma semana para as eleições, é melhor ficar de olho. Se o seu postulante à prefeitura está falando somente de cobrar ar-condicionado e Wi-Fi nos ônibus das empresas de transporte, provavelmente ele ou ela não sabe aonde está se metendo – nem o que lhe espera.

No artigo “Desafios para salvar a mobilidade urbana”, agrupamos os principais desafios que planos de governo para 2021-2024 devem enfrentar.

Para se preparar, evento aborda os principais projetos para o transporte no pós pandemia

A 6ª edição do evento Connected Smart Cities Mobility Digital Xperience ocorreu entre os dias 8 e 9 de setembro e trouxe palestrantes do setor de transporte público. Os temas envolveram o novo conceito do transporte público no pós-pandemia – a grande dúvida de todos.

A Redação Agora é Simples anotou os principais pontos que rolaram na edição. Para saber mais, acesse agoraesimples.com.br/connected-smart-cities.

E mais: 7 políticas públicas para financiar o transporte público

Dentre tantas adversidades e problemáticas que o setor de transporte público enfrenta, a Redação Agora é Simples reuniu 7 Políticas Públicas para financiamento do transporte.

Dentre estudos, leituras científicas e suporte de especialistas, o artigo reúne as melhores formas de financiamento para o transporte público, visando principalmente não pesar ainda mais para o passageiro e reverter o ciclo vicioso que o sistema se encontra.

O transporte ativo lidera geração de empregos, ao contrário dos carros

Estudos comprovam que a criação de ciclovias nas cidades gera 2 mil empregos, índice maior do que qualquer outro tipo de estrutura viária.

Confira um trecho do que a pesquisadora da Coppe/UFRJ e secretária-executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Andrea Santos compartilhou na Época.

“É essencial nas discussões de cidades sustentáveis, inteligentes, resilientes ao clima que se incentive mais espaço para pedestres, para a bicicleta. A Covid gerou toda uma preocupação em repensar as cidades.”

Para conferir o tema na íntegra, clique aqui.

E esse é o ponto final. Nos vemos na próxima?

Isso é obrigatório.
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Construção de ciclovias gera mais emprego do que priorização de carros

Estudos comprovam geração de 2 mil empregos na criação de ciclovias nas cidades, índice maior do que qualquer outro tipo de estrutura viária

O transporte ativo, por bicicleta ou a pé, ganhou força nos últimos tempos, impulsionado ainda mais pela pandemia de coronavírus. Isso foi percebido por prefeituras como Paris, Milão, Buenos Aires, Bogotá, Curitiba, Belo Horizonte e outras, que adotaram rapidamente a extensão – provisória ou definitiva – de ciclovias. De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), foram feitas mais de 100 intervenções desse tipo em todo o mundo por causa da pandemia.

“É essencial nas discussões de cidades sustentáveis, inteligentes, resilientes ao clima que se incentive mais espaço para pedestres, para a bicicleta. A Covid gerou toda uma preocupação em repensar as cidades.”

afirma Andrea Santos, pesquisadora da Coppe/UFRJ e secretária-executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

A construção de ciclovias geram benefícios econômicos como aumento de receitas e empregos para empresas locais. Conjuntamente auxilia na redução de congestionamentos, melhora na qualidade do ar, rotas de viagem mais seguras e melhores resultados de saúde.

Um estudo do Instituto de Pesquisa em Economia Política (PERI, sigla em inglês), da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, conclui que criar novas ciclovias gera mais empregos do que qualquer outro tipo de estrutura viária nas cidades. Os pesquisadores compararam 58 projetos viários em 11 cidades americanas. 

No geral, o estudo apresenta que a construção de infraestrutura para o ciclismo cria a maioria dos empregos para um determinado nível de gastos, ou seja, para cada US$ 1 milhão investidos, são gerados 11,4 empregos no Estado do projeto. Em regiões onde as vias são exclusivas para carros, o índice é de 7,75 e para áreas exclusivas para pedestres, 9,9.

O estudo analisou projetos de infraestrutura para transporte, como alargamento de estradas existentes ou pavimentação de estradas que não têm ciclovias e/ou calçadas, projetos de estradas que incluem componentes de pedestres (como calçadas, estradas com estrutura para pedestres e bicicletas), projetos com instalações exclusivas para pedestres (como reforma de calçadas ou travessia de pedestres), projetos específicos do ciclo (como adicionar marcação de ciclovias), trilhas multiuso, entre outros.

Além disso, o ClimaInfo calcula que podem ser gerados cerca de 2 mil empregos, diretos e indiretos, imediatamente com investimentos de R$ 1 bilhão de reais em mobilidade ativa. O valor seria suficiente para construir 5.000 km de ciclovias, ou criar 2.000 km de faixas exclusivas de ônibus, ou recuperar e construir 1.750 km de calçadas.

Isso é obrigatório.
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Cidades sob comando de mulheres são exemplos em governança urbana

Ainda em minoria no Brasil, países no exterior são destaque na representação feminina no poder público e em inovações ousadas para o futuro das cidades

Nas ruas, as mulheres não são minoria, porém, no âmbito institucional e nas esferas de poder, a presença de mulheres é baixa. Nas eleições de 2016, entre as 10 capitais mais populosas do Brasil, haviam no máximo 28% de candidatas mulheres às prefeituras. De acordo com decisão do STF, a presença de 30% de candidaturas femininas é lei. 

A importância da presença feminina nos lugares de poder impacta diretamente na construção, desenvolvimento e mobilidade dos municípios. Isso está relacionado a participação direta da parcela feminina na população, afinal são as que mais se movimentam nas cidades. 

No entanto, as decisões que afetam um país inteiro seguem sendo tomadas sem a participação de sequer uma mulher. De acordo com levantamento da ONU, entre 191 países, o Brasil ocupa o 140º lugar no ranking de países com maior representação feminina no Legislativo. 

Ainda de acordo com a ONU, o Congresso brasileiro possui atualmente 15% das cadeiras ocupadas por mulheres na Câmara e 14% no Senado.

“O que se percebe com isso é que os espaços em que são decididas as políticas públicas de mobilidade, onde se dá a gestão da mobilidade na nossa cidade, são ocupados predominantemente por homens. Eles ainda decidem por nós. Isso precisa mudar”

– Meli Malatesta, Consultora e Professora em Mobilidade Ativa, para o WRI Cidades.

O Instituto Alziras mapeou o Perfil das Prefeitas no Brasil (2017-2020) e aponta que, dos 309 municípios brasileiros que têm acima de 100 mil habitantes, somente 21 são governados por mulheres, ou seja, apenas 7% do Brasil.

Além disso, a pesquisa demonstrou que 55% das prefeitas eleitas têm seu secretariado composto por mais de 40% de mulheres. Isso impacta positivamente no bem-estar da comunidade e enfatiza a igualdade de gênero nas políticas e práticas, de acordo com a Unesco.

Ao contrário do que acontece no Brasil, a Bolívia se encontra na 2ª posição do ranking da ONU. Como dois países da América Latina com situações socioeconômicas próximas possuem tanta diferença no tema de igualdade de gênero na esfera política?

Isso se explica pois o desenho institucional da política boliviana é bem mais complexo e detalhado do que o do Brasil. As regras para garantir a igualdade e paridade são precisas e a existência de alternância impede que as elites partidárias manejem a ordem de candidatos na lista, o que antes favorecia candidaturas masculinas, deixando as candidatas nas últimas posições, sem chances de eleição.

Outros exemplos mundo afora são as cidades como Paris, Bogotá e Barcelona. A presença de mulheres na gestão dessas cidades apresentou e tem apresentado impactos positivos na mobilidade urbana desses municípios, vejamos.

Mobilidade ativa impulsionada por prefeita em Paris

Anne Hidalgo é prefeita de Paris desde 2014, sendo a primeira mulher a administrar a capital francesa na história do país. Com plano de mobilidade incisivo, seu projeto visa reduzir a poluição, priorizar espaços para pedestres e a mobilidade sustentável e moldar uma cidade mais verde, segura e saudável.

A prefeita propõe a criação de uma “cidade de 15 minutos“, referência ao tempo para ir ao destino desejado, a pé ou de bicicleta. A ideia caminha para a transformação em cidades inteligentes, ampliando a conexão, segurança e sustentabilidade dos bairros. Hidalgo defende que os “15 minutos” também servem para evitar a lotação do transporte público, muito importante em momento de pandemia.

As cidades de 15 minutos ilustrada por Marcos Muller. Fonte: Estadão.

No 1º mandato, a prefeita instalou 1.000 km de ciclovias e a meta agora é ter mais 400 km na cidade. Em 2007, também assinou a criação do sistema de empréstimo de bicicletas reproduzido pelo mundo, inclusive em São Paulo. Reeleita em março deste ano, já anunciou uma bolsa de 55 euros (R$ 336) para quem vai de bicicleta ao trabalho.

Outros projetos também envolvem a pedestrianização na margem do rio Sena (mais espaço aos pedestres e bicicletas), limite de velocidade padrão na área central da cidade (no máximo 30 km/h), proibição de veículos poluentes, entre outros.

Aumento de ciclovia e ônibus elétricos em Bogotá

Claudia López é a primeira mulher lésbica eleita como prefeita de Bogotá, sendo destaque da luta contra a corrupção e preconceito na Colômbia. Seus projetos visam tornar a cidade mais gentil, inclusiva e sustentável.

“Ser mulher não é um defeito, ser uma mulher de caráter, firme (…) não é um defeito. Ser gay não é um defeito, ser filha de uma família humilde não é um defeito”

– Claudia López em entrevista à AFP (Agence France-Presse).

No início da pandemia, López apontou três grandes problemas na cidade e já propôs melhorias para mobilidade e segurança. A “ameaça tripla” que diz envolve a má qualidade do ar, doenças respiratórias sazonais e o novo coronavírus.

Com isso, a prefeita anunciou uma medida emergencial para acrescentar mais 76 km de ciclovias aos 550 km já existentes na capital. A prefeita pretende, a partir desta ação, diminuir as aglomerações no transporte público, contribuir com o uso da bicicleta como meios de transporte e redução de carros nas vias. 

Ciclovias temporárias em Bogotá. Fonte: Movilidad Bogotá.

Junto com essa ação, López prevê a adoção de 483 ônibus elétricos até o final de 2020 contribuindo para redução dos níveis de poluição na capital. E, no “Dia Mundial Sem Carro e Sem Moto”, mais de 1,8 milhões de veículos particulares e 469 mil motocicletas deixaram de circular na cidade.

Desincentivo ao uso de carros e a construção de Super Ilhas em Barcelona

Ada Colau foi a primeira prefeita eleita em Barcelona. Atuando desde 2015, apresenta discursos feministas e busca o caminho do diálogo com outros regedores. A prefeita reivindicou que “as mulheres chegaram para mandar e ocupar todos os espaços de poder”.

Ada Colau reeleita prefeita de Barcelona. Fonte: Aqui Catalunha.

O programa de governo possui ampla participação popular, sobretudo das associações de bairro e de representantes de movimentos sociais (imigrantes, LGBTs, feministas, entre outros). Na pauta se encontram políticas de mobilidade urbana, habitação e ecologia da cidade.

“O que estamos tentando implementar é o urbanismo da vida cotidiana, o urbanismo de gênero, nas políticas de transformação do futuro da cidade.”

– Janet Sanz, vice-prefeita de Ecologia, Urbanismo e Mobilidade, para El País.

A prefeita já instalou um protótipo de Super Ilhas, ou seja, ruas peatonais, projetadas para pedestres e não para carros. As ilhas serão construídas em grandes blocos de nove quadras e reforça a importância de desincentivar o uso de automóveis particulares.

Colau também anunciou, em janeiro de 2020, um plano local de emergência climática com 103 ações. O plano inclui mais restrições aos carros particulares, aumento da frota de transporte público elétrico, ampliação da rede cicloviária e da área exclusiva para pedestres, novos parques e “eixos verdes”.

O projeto ainda contém a desativação da ponte aérea Madri-Barcelona e sua substituição por um trem elétrico de alta velocidade. Para desenvolver as propostas, a prefeitura vai investir 563 milhões de euros (cerca de R$ 2,6 bilhões), além de contar com o apoio do governo espanhol para a implantação do trem rápido.

Outro projeto divulgado recente é o Plano de Mobilidade Urbana (PMU). O objetivo geral é a redução de 25% das viagens em automóvel particular. Com o PMU, o resultado esperado é que 82% das viagens estejam incluídas na mobilidade sustentável (o que hoje representa 74%) e apenas 18% de carro (hoje com 26%).

A proposta do PMU se soma às medidas da Zona de Baixas Emissões e da Declaração de Emergência Climática, proposta no início de 2020. Outras ações mais drásticas estão sendo estudadas, como implementação de pedágio de acesso à cidade, assim como a proposta de Porto Alegre/RS.

Todos os exemplos acima reforçam ainda mais a necessidade de mulheres em posições de liderança. Políticas públicas sob a ótica feminina tendem a favorecer investimentos em saúde, educação e bem-estar social. No entanto, em grande parte dos países, o domínio contínuo dos homens em cargos de tomada de decisão limita a voz das mulheres e impacta diretamente na capacidade de influenciar a formulação de ações de desenvolvimento sustentável e igualitário de cidades, estados e países.

Isso é obrigatório.
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Maior fabricante de bicicletas prevê queda nas vendas

Aumento na procura por bicicletas, os impasses na maior fabricante do mundo e a reestruturação das cidades para priorização de pedestres e ciclistas

Foto: Kara.

A procura por bicicletas aumentou muito durante a quarentena, as pessoas começaram a buscar mais saúde e segurança em seus deslocamentos e novas formas para evitar o transporte público. Como resultado, a demanda por bicicletas foi tão grande que as empresas começaram a ter escassez do produto.

Além da maior demanda, a escassez também está relacionada com impasses nos locais de fabricação. A maior fabricante no mundo é a Giant, com sede em Taiwan. No entanto, devido a alta infestação do novo coronavírus na China, a produção foi interrompida durante alguns meses.

Somando-se à crise, parte da fabricação era destinada aos Estados Unidos e União Europeia e, diante de taxas impostas por esses países, boa parte da produção passou para a base da empresa. Assim, enquanto a demanda por bicicletas dava um salto, a produção se manteve limitada em Taiwan.

Porém, de acordo com Bonnie Tu, presidente da Giant, apesar da alta demanda pelo produto, a empresa ainda não está convencida sobre a procura no pós-pandemia. Isso embasa a decisão de não aumentar os investimentos.

“Todo boom termina algum dia, é apenas uma questão de rapidez ou lentidão”

Bonnie Tu, presidente da Giant em entrevista ao New York Times.

Em contrapartida, cidades atuam na proposta de redução de automóveis nas ruas e propõem melhorias para pedestres e ciclistas. O momento atual trouxe a importância do espaço para as pessoas, principalmente quando se pensa no desenvolvimento de cidades mais sustentáveis, seguras e integradas.

Com isso, alguns lugares já estudam a proposta de transferência do espaço de carros para a construção de ciclovias. Em 2016, a cidade de Toronto substituiu o estacionamento na rua por uma ciclovia ao longo de um trecho de 2,4 km e um estudo piloto avaliou as mudanças.

No estudo, pesquisadores identificaram mais pontos positivos do que negativos com a mudança. Quando o estacionamento na rua é convertido em ciclovias em áreas urbanas com andares térreos comerciais, a atividade econômica como um todo permanece tão forte quanto antes, muitas vezes mais forte.

Além da economia, as razões para a mudança na infraestrutura das cidades contribuem para maior segurança, mais espaço público, menos poluição e maior contribuição no uso de modais ativos. Exemplo disso aqui no Brasil é o Plano de Mobilidade Ativa no Distrito Federal (PMA/DF).

Com tantas iniciativas sendo implementadas durante esse momento ímpar da humanidade, talvez o boom das bicicletas não caia assim tão rápido como espera a Giant, e sim, permaneça no pós-pandemia.

Reforma de ruas e ciclovias: uma proposta para o distanciamento social e o pós-pandemia

Estamos vivendo uma oportunidade de construir cidades inteligentes e sustentáveis em momento de quarentena

A atual conjuntura está levando a sociedade a um novo patamar de convívio social, interferindo na mobilidade urbana. Aliada à preocupação já existente sobre acidentes de trânsito, mesmo com a atual queda no tráfego de veículos, as ruas não se tornarão inerentemente mais seguras no pós-pandemia, assim, o momento de isolamento social atrelado à diminuição de tráfego faz com que a realização de obras nas vias públicas se torne possível. 

Em 2018, a participação dos veículos no trânsito da grande São Paulo (nos horários de pico em dias úteis), era composta por cerca de 80% automóveis e 15% motocicletas, seguido por ônibus (3%), caminhão (1,5%) e bicicletas (0,9%). A partir do cruzamento de dados de acidentes fatais, automóveis e motocicletas envolveram-se em 75,6% do total de acidentes.

Logo, com o foco em melhorar a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos, o desenho estratégico de ruas, calçadas e ciclovias é essencial. Em primeiro lugar, podemos pensar na reforma das vias públicas para auxiliar no distanciamento social de um metro e meio recomendado e a fim de evitar a sobrecarga do sistema de saúde, numa proposta de diminuição do espaço de carros para aumento da largura de calçadas.

Em segundo lugar, pensando no pós-pandemia, tornamos as cidades mais amigáveis, com incentivo à caminhadas e ciclismo, podemos reduzir o número de pessoas que precisam ir ao pronto-socorro por conta de um acidente na rua. 

Tornando-se necessária a reestruturação das ruas, estudo realizado pela WRI Brasil mostra que, para cada 1% de mudança voltada para uma cidade mais compacta e conectada, a taxa de morte no trânsito diminui 1,5%, e as taxas de mortalidade de pedestres diminuem de 1,5 a 3,6%, fazendo com que o desenho das ruas contribua na melhoria da segurança e qualidade de vida dos cidadãos.

Exemplos de reestruturação ocorrem Brasil afora. Em Nova York, as autoridades implementaram projeto piloto para mudança no trânsito a fim de oferecer mais espaço aos pedestres, interditando ruas, o que não deu certo por questões de baixa aderência. Enquanto que Bogotá apresentou uma alternativa permanente a partir da reorganização de espaços públicos em uma ação rápida e benéfica. Outro projeto permanente é a criação de superquarteirões em Barcelona, dando prioridade total à pedestres e ciclistas.

A qualidade do ar é outro ponto a favor da redução de espaço dos carros. Imagens de satélite que detectam emissões de carbono provenientes do tráfego de carros e caminhões mostraram enormes quedas nas principais cidades como Nova York, Los Angeles e Seattle neste período de quarentena. Logo, reduzir o espaço de carros particulares pode ajudar também na diminuição de emissões de carbono no futuro.

Considerando também a dificuldade de grandes cidades em controlar aglomerações, a reestruturação de ruas com maiores dimensões e a construção de uma rede de ciclovias protegidas poderia auxiliar no distanciamento social. A partir das reformas, o deslocamento de moradores, especialmente aqueles sob as regras de isolamento, seria facilitado.

Atrelado à isso, outros hábitos pessoais relacionados ao trabalho e à interação social foram alterados, o que representa mudanças políticas e sociais que refletem na economia. Logo, esse momento pode se tornar uma oportunidade exclusiva de pensar sobre o design e planejamento urbano, podendo contribuir para a construção de cidades inteligentes e sustentáveis.

Isso é obrigatório.
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